Em primeiro lugar, podemos dizer que a missão da igreja é fazer discípulos que fazem discípulos para a glória de Deus. Jesus nos dá essa missão em Mateus 28:18–20, e Paulo reflete essa verdade na prática ao apresentar quatro gerações de discípulos em 2 Timóteo 2:2.
No entanto, ao cumprirmos essa missão, corremos o risco de pensar que os discípulos são “nossos” e cairmos na tentação de centralizar tudo em nós. Mas ninguém “tem” discípulos. Se temos, são nossos. Se são nossos, não são de Jesus. Precisamos mudar nossa forma de falar: os discípulos são de Jesus. No Novo Testamento, o termo “discípulo” aparece com a preposição (“discípulo de”/“discípulo do”) apenas em referência a Jesus, a João Batista e aos fariseus. No restante, o termo surge sem preposição “os discípulos”, pressupondo que todos pertencem a Jesus.
Os fariseus são um exemplo de como não discipular. Em Mateus 23, diz que eles se assentavam na cadeira de Moisés, centralizavam tudo em si mesmos e se colocavam no caminho do Reino. Chegavam até a tentar formar discípulos à sua própria imagem.
João Batista, porém, seguiu outro padrão: diminuiu a si mesmo (João 3:30), apontou para Jesus (João 1:29) e “perdeu” seus discípulos para que se tornassem discípulos dele (João 1:37). Para nós, isso é um exemplo de como conduzir pessoas a não dependerem de nós.
João Batista discipulava com intencionalidade, constância e propósito, como também devemos fazer, para conduzir os discípulos ao verdadeiro crescimento.
O discipulado não começou em nós como igreja, nem nos movimentos que vieram antes de nós, nem em algum ponto da história; começou no coração de Deus. Vemos isso na história de Caim e Abel: dois irmãos, sendo o mais velho alguém que se sentia rejeitado e carregava lutas, e, ainda assim, Deus esperava que ele cuidasse do irmão mais novo. Como Caim, quando deixamos de dar aos nossos irmãos aquilo que Deus nos pediu, é como se estivéssemos tirando-lhes a vida.
Contudo, Deus oferece um caminho para que ninguém fique preso à síndrome de Caim. Ele disse, em caso de arrependimento: “É certo que serás aceito.” Deus nos ama e nos aceita, mas nos chama para fora da zona de conforto — além das planilhas e dos cronogramas — a sermos instrumentos de vida para quem está perto.
Perguntas para reflexão e conversa nos grupos:
1. Existe algum testemunho de um irmão ou irmã que Deus colocou no seu coração, independente de estrutura formal de discipulado, em que você foi um canal de vida?
2. Você tem vivido isso hoje, intensamente? O que tem feito nessa área?
3. Como você pode viver isso de forma mais intencional e constante?